24 VALSAS BRASILEIRAS PIANO (Urtext) - Francisco Mignone

24 Brazilian Waltzes
R$ 64,99

Disponibilidade: Em estoque

Código: RE-002

Editora: Tipografia Musical

Idioma: Português / Inglês

Autor/Artista: Francisco Mignone

Instrumento: Piano

Formato: Livro - Partitura - 103 Páginas

UPC: 9788568951101

Para celebrar os 120 anos de nascimento do compositor Francisco Mignone (1897-1986), a Editora Tipografia Musical traz a obra “24 Valsas Brasileiras” em edição Urtext, uma série de valsas para piano compostas entre 1963 e 1984, sendo doze delas ainda inéditas em publicação.


O trabalho conta com a supervisão e revisão técnica de Maria Josephina Mignone, e destina-se como álbum de partituras de performance para músicos profissionais e estudantes.


Com textos de apresentação em formato bilíngue (português/inglês), trata-se, portanto, de um importante trabalho de resgate e preservação da música erudita brasileira.


Do rol de compositores eruditos brasileiros nascidos na virada do século XIX para o XX, Francisco Mignone está entre os mais importantes e que merecem cada vez mais destaque, tendo em vista que boa parte de sua obra ainda é desconhecida em seu próprio país.


As “Valsas Brasileiras”, segundo o musicólogo Bruno Kiefer, “constituem [...] uma espécie de síntese dos aspectos essenciais das anteriores. Todos os elementos supérfluos foram eliminados aí. São peças da melhor qualidade.” O que, a nosso ver, se estende também às doze últimas.


Das Valsas Brasileiras

"Dos compositores eruditos brasileiros nascidos em fins do século XIX, Francisco Mignone está entre os mais importantes e prolíficos, cuja obra merece ser cada vez mais resgatada e apresentada ao público. Filho de imigrantes italianos, nasceu na cidade de São Paulo em 1897 e cedo iniciou os estudos de música com seu pai, Alferio Mignone, e com Silvio Motto, sendo aluno mais tarde de importantes compositores e maestros, como Savino de Benedictis, Agostino Cantu e Vincenzo Ferroni. Aos 13 anos já se apresentava como flautista e pianista em pequenas orquestras; logo estaria também compondo suas primeiras peças populares e eruditas. Em 1921, estudando na Itália, compõe sua primeira ópera, O contratador de diamantes, e segue em sua carreira como regente e compositor erudito até o seu último ano de vida, em 1986, no Rio de Janeiro. 

Depois de seus estudos na Europa, volta para São Paulo, em 1929, retomando e estreitando sua amizade com Mário de Andrade (1893-1945). O escritor havia criticado antes certo italianismo presente na obra de Mignone da temporada europeia e o entusiasma a abraçar com mais vigor os elementos nacionais da nossa música. Mignone encara os postulados nacionalistas defendidos pelo amigo, passando a buscar um idioma nacional para suas obras. Em 1933, morando já no Rio de Janeiro, compõe o bailado afro-brasileiro Maracatu do Chico-Rei, em colaboração com Mário de Andrade. Inicia-se, assim, a extensa (1.023 peças!), rica e reconhecida produção do compositor, que passa pelos mais diversos gêneros e formações (ópera, opereta, balé, coral, sacra, música de câmara, orquestral, voz, piano solo etc.). Produção já marcada antes por momentos notáveis, como quando Richard Strauss (1864-1949), em 1923, no Rio de Janeiro, regeu, à frente da Filarmônica de Viena, sua Congada, peça da ópera O contratador de diamantes. Nas três últimas décadas de vida, no entanto, Francisco Mignone se afasta gradualmente do nacionalismo para se permitir uma maior liberdade em seu processo de composição, tendo flertado, inclusive, com técnicas da música serial, por exemplo. 

Das obras para piano solo de Mignone, as valsas ocupam um destacado e importante número e lugar. Escritas geralmente em série, embora de modo intermitente – Doze Valsas de Esquina (1940-43), Doze Valsas-Choro (1946-55) e 24 Valsas Brasileiras (1963-84) –, parecem se tratar de um projeto do compositor para fixar melodias genuinamente brasileiras em um gênero de origem europeia, mas bastante cultivado e difundido em nosso país desde o início do século XIX, ganhando particularidades rítmicas (pela influência, sobretudo, da modinha, da seresta e do choro) e adaptando-se a diferentes esferas sociais e musicais (popular, folclórica e erudita). Na música erudita brasileira, Mignone se destaca não só pela quantidade de valsas que compôs – chegando a produzi-las para outros instrumentos, como fagote e violão – mas também pela forma como tratou o gênero, dentro de uma proposta modernista de afirmação nacional. Projeto que o compositor levará até quase o ano de sua morte, quando compõe, em 1984, a sua última Valsa Brasileira.

Com o intuito de resgatar e preservar parte importante da obra pianística de Francisco Mignone, apresentamos a série 24 Valsas Brasileiras em edição Urtext. Compostas entre 1963 e 1984, as últimas doze têm aqui sua primeira edição, em trabalho que contou com a supervisão e revisão técnica de Maria Josephina Mignone – a quem boa parte destas valsas foi dedicada e a quem o compositor confiou orientações sobre a interpretação de suas obras. Destina-se, portanto, como álbum de performance para músicos profissionais e estudantes. 

As Valsas Brasileiras retratam fortemente o estilo musical de Mignone, marcadas por tempos, ritmos, melodias, harmonias, texturas e dinâmicas bastante expressivas e com particularidades idiomáticas, como a busca pela sonoridade do violão. Em suma, elas unem os elementos nacionalistas e tradicionais, os quais o compositor trilhou larga e habilmente, a um novo e rico vocabulário musical, fruto de suas novas pesquisas e investidas. Em Mignone vida e obra (1983, p. 50), o musicólogo Bruno Kiefer, referindo-se às doze primeiras Valsas Brasileiras, afirma que elas “constituem [...] uma espécie de síntese dos aspectos essenciais das anteriores. Todos os elementos supérfluos foram eliminados aí. São peças da melhor qualidade.” O que, a nosso ver, se estende também às doze últimas.

Apesar de ser reconhecido pela versatilidade, invenção melódica e substância musical de sua obra como um todo, digna de grandes performances, Francisco Mignone é um nome que merece cada vez mais espaço em mais salas de concerto e, sobretudo, no mercado editorial de música. Este é um de nossos compromissos com esta edição: a preservação da música erudita brasileira."

Bruno D’Abruzzo
— editor —